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Pouco explorada no Brasil, ovinocultura é tema de palestra na Tecnoshow COMIGO

Zootecnista alerta sobre importância de conhecer histórico familiar dos carneiros antes da compra

Nem só de bovinocultura, suinocultura e avicultura, principais segmentos da pecuária goiana, está sendo feita a 17ª edição da Tecnoshow COMIGO. Na tarde desta quarta-feira, 11, a discussão, que ocupou as Dinâmicas de Pecuária da maior feira de tecnologia rural do Centro-Oeste, foi a ovinocultura. O zootecnista Rafael Rodrigues Jorge falou sobre como escolher um bom reprodutor e aproveitou para chamar atenção para a exploração, ainda tímida, da criação de carneiros em terras brasileiras. “Aqui criamos carneiros no Sul, Nordeste e algumas regiões específicas do estado de São Paulo. Nesse cenário, importamos 70% do que consumimos do Uruguai. Ainda há muito o que crescer e a oportunidade é para ser aproveitada agora. O que falta é gente que leve a ovinocultura à sério e não coloque a atividade como um hobby, atrás da bovinocultura, por exemplo.”

Rafael explica que produzir carneiros não é uma tarefa fácil, mas conta que não enxerga interesse na maioria dos produtores – principalmente por parte daqueles que já trabalham com atividades mais comuns em seus respectivos estados. Nesse sentido, o zootecnista entende que não há procura por informações técnicas. “Bovinocultura não é ovinocultura e muitos pecuaristas de boi acham que já sabem tudo sobre como produzir carneiros, o que coloca a evolução da atividade lá embaixo. Não temos produtores tecnificados. O que temos aqui é gente querendo comprar o animal mais barato e não se esforçando para entender do negócio.”

Outro ponto que precisa ser levado em conta é a qualidade dos animais. “No Brasil existem milhares de vendedores de carneiros, mas 70% deles são o que chamamos de atravessadores. Eles não conhecem a origem e as especificidades do animal. E é do histórico que tiramos informações relevantes, e muitas vezes indispensáveis, para, por exemplo, investirmos em melhoramento genético. É comum conhecermos o fenótipo e não o genótipo. Sendo assim, como trabalhar com um animal sem saber de onde ele veio?”, provoca.

Ele destaca que antes de mais nada é preciso que o futuro criador saiba exatamente qual seu foco com o rebanho. Se quer comercializar a lã, o leite, a carne ou apenas criar bons reprodutores. É a partir daí que será feita a primeira filtragem, elencando as melhores raças para cada finalidade. “Para o segmento de corte a raça mais indicada é a brasileira Santa Inês, animal sem lã, resultado do cruzamento entre a Morada Nova e a italiana Bergamácia. Doper, Texel e Suffolk também são boas opções”, orienta. Em seguida é hora de definir o indivíduo, dentro de cada raça, levando em conta algumas características importantes como aparelho reprodutivo, libido e composição corporal. “Antes de qualquer coisa precisamos verificar pontos como simetria e consistência dos testículos, tamanho da bolsa escrotal e saúde do pênis, sempre em formato de S.”

Em sua apresentação, na Tecnoshow COMIGO, ele levou um animal da raça White Dorper e demostrou, ao vivo, características morfológicas como qualidade dos aprumos, comprimento e largura do lombo e arqueamento e profundidade das costelas. “Outro ponto importante é o risco do animal desenvolver um quadro de subfertilidade caso o produtor compre o carneiro em uma região com clima muito diferente de onde ele será criado. Não é uma regra, mas às vezes é preciso respeitar o período de adaptação de cada raça”, esclarece. No caso dos carneiros a criação pode ocorrer em regime extensivo, com os animais soltos no pasto, ou intensivo, quando os carneiros ficam confinados ou semiconfinados.

Em São Paulo, Rafael cria animais da raça Suffolk, com grande desenvolvimento corporal, de constituição robusta e de conformação tipicamente carniceira. Ele conta que o mercado lá é totalmente voltado para o corte e extremamente exigente. “Trabalhamos com abatimento de cordeiros com 120 dias, no máximo. Quando esse animal chega na butique de carne o quilo custa cerca de R$ 80. É um mercado muito promissor.”

Imagem: Divulgação Tecnoshow COMIGO

Por: Tecnoshow COMIGO

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