Equipe Leite: Natália Salaro Grigol
A competitividade entre indústrias pelo leite deve manter o preço ao produtor em alta em agosto. Neste começo de segundo semestre, os fundamentos no mercado de leite permanecem praticamente os mesmos dos verificados na primeira metade do ano. A oferta de matéria-prima no campo segue baixa, ainda como reflexo de um 2017 ruim e de investimentos limitados na atividade. Somado a isso, a entressafra da produção no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil e o atraso da safra de inverno no Sul também reduzem a oferta no campo.
Desde o início de 2018, o preço do leite pago ao produtor registra alta real de 43,5% (valores deflacionados pelo IPCA de jul/18), com a “média Brasil” líquida (que inclui BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS e não considera frete e impostos) atingindo R$ 1,4781/litro em julho. Este foi o maior patamar para um mês de julho, tomando-se como base a série histórica do Cepea, iniciada em 2005. Já quando considerados todos os meses da série, a média de julho foi a maior desde outubro de 2016, também em termos reais.
No geral, a partir do final de maio, a paralisação dos caminhoneiros estimulou ainda mais as altas, à medida que intensificou a competição entre as indústrias para a compra de matéria-prima. Isso porque, no pós-greve – início de junho –, houve desabastecimento no mercado e laticínios acirraram a concorrência. Como estratégia para garantir a captação, muitos realizaram acordos de curto prazo junto a produtores ainda em junho, os quais devem sustentar as altas no campo em agosto.
Já para setembro (referente à captação de agosto), agentes de mercado consideram que o movimento altista não deve se sustentar, visto que a demanda por lácteos segue fragilizada e não demostra capacidade de absorver novos aumentos de preços dos derivados.
UHT E SPOT – Uma vez que o pagamento do leite ao produtor efetuado pelas indústrias ocorre no mês seguinte à captação, as negociações dos derivados, com destaque para o leite UHT, e do leite spot influenciam fortemente na formação dos preços e indicam os movimentos do mercado.
Nesse sentido, de acordo com pesquisas do Cepea, as negociações diárias do leite UHT entre indústrias e mercado atacadista no estado de SP têm estado cada vez mais dependentes da realização de promoções para assegurar liquidez. O indicador diário de UHT do Cepea, realizado com o apoio financeiro da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), registrou queda acumulada de 5% durante a primeira quinzena de agosto.
Ao mesmo tempo, o preço médio do leite spot negociado em Minas Gerais vem recuando desde a segunda quinzena de julho, chegando a R$ 1,62/litro na segunda quinzena de agosto – nesse período, a queda acumulada foi de 17,3%.
Fonte: Cepea



