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Cenário otimista para a pecuária gaúcha

Crescem as exportações de gado em pé

Se há um ano a Expointer transcorria ainda sob o impacto da operação Carne Fraca e da delação da JBS, que influenciaram negativamente os preços da pecuária de corte, neste ano o cenário é outro, possibilitado principalmente pelo aumento das exportações de gado em pé e da demanda de gado gaúcho para cruzamento industrial no Centro-Oeste.

Uma das grandes novidades nos últimos anos tem sido a exportação de terneiros vivos, especialmente para a Turquia. No ano passado, o RS exportou 85 mil animais pelo Porto de Rio Grande. Outro fator que tem impulsionado a pecuária gaúcha é o fornecimento de animais para cruzamento industrial no Centro-Oeste. O cenário é composto ainda por uma redução no consumo interno, observada após o início da recessão econômica no país. Os desafios para o setor pautaram o primeiro encontro do ciclo Debates do Correio do Povo Rural realizado nesta Expointer, na Casa do CP no Parque de Exposições Assis Brasil.

Quando se fala em exportação de gado, uma das questões em discussão é o impacto desse mercado para a oferta de matéria-prima nos frigoríficos locais. O presidente da Conexão Delta G, Eduardo Eichenberg, entende que quanto mais alternativas o produtor tiver para comercializar o seu produto, melhor será para a pecuária. “Por mais que os frigoríficos tenham uma visão de que estamos exportando a sua matéria-prima, indiretamente estamos gerando mais receita para o produtor”, afirmou. Na avaliação dele, o ponto-chave para o setor é entender que a exportação é uma alternativa a mais, que impacta positivamente na renda, o que incentiva o produtor a investir mais e ampliar a produtividade. “Como investir mais? Tendo a certeza de uma melhor remuneração por esse produto”, concluiu.

A curto prazo, a crise na Turquia pode representar um cenário de incertezas para o criador que deixou os terneiros inteiros na expectativa de uma valorização com a exportação. Para a coordenador do Programa de Melhoramento Bovino (Promebo), Fernanda Nogueira Kuhl, o produtor corre o risco de querer aproveitar essa oportunidade de mercado “quando ela já está terminando”. Até porque o terminador teria interesse em adquirir apenas animais castrados, visando à bonificação dos programas de qualidade. “Esse criador vai estar com maior incerteza no mercado do que um criador que tinha como atingir outros nichos”, observou. Por outro lado, ela enxerga a possibilidade que o cenário se comporte como uma maré, na medida em que sejam resolvidos problemas como a taxa de câmbio, a incerteza das eleições e até mesmo a abertura de outros mercados.

Fonte: Correio do Povo Por Danton Júnior

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